Impossível não se indignar. Desde que mundo é mundo somos pobres. Somos
analfabetos. Somos sem saúde. Somos endêmicos. Somos mal educados. Sem grande
interesse pelos que governam e como governam. Acostumamos a esperar alguém nos
dar seja lá o que seja, quando se trata de amealhar vantagens. Votamos mal, pensamos pouco e cremos rápido
demais nos que nos dizem.
Por causa de sermos
assim, aturamos governos ditatoriais, choramos morte de ditador, (Getúlio), num
passado próximo. Agüentamos uma ditadura
militar que não conseguiu nos colocar à frente da estória anterior, aceitamos
governos eleitos via indireta, choramos, mais uma vez, a morte de quem sequer
governou, (Tancredo), fomos lançados nas barras da desordem e semi-caos, (Sarney/
Collor). Adveio um governo de Vice (Itamar), que, com a ajuda de brasileiros de
peso fez história em seu governo.
Sucedido por outro governo (Fernando Henrique) que, com trabalho e
eficiência dos seus assessores (Ministros e Colaboradores) deu nova cara ao
País e imprimiu um otimismo ao povo, que experimentava um novo padrão de
qualidade política e desenvolvimento.
Este País, durante esse
período – oito anos - (que cronologicamente é quase nada), sofreu a mais dura
oposição, (sem qualquer critério ou real necessidade), com invasões do
Congresso Nacional, ocupações de várias sedes de órgãos públicos, (como a INCRA
por ex., em que os ocupantes puseram um Peru vivo na mesa do presidente), greve
da Petrobrás em que não havia sequer gás de cozinha nem gasolina nos postos,
greve alcooleira e de professores e de metalúrgicos e de caminhoneiros, de
bancários e tantas outras de tudo quanto é ordem, que nem se podem contar. Parava-se a produção, invadiam-se terras, inclusive
a fazenda do Presidente Fernando Henrique, num país que até então não tivera
qualquer sorte de se fazer desenvolver, mas estava bem a caminho.
Com o governo do
Presidente Fernando Henrique, que o único com o qual pudemos contar e nos honrar com
o trabalho magnífico de uma verdadeira Primeira Dama, Dra. Ruth Cardoso, que estabeleceu programas sociais de imensa envergaduras, (como o bolsa família, o bolsa
escola, o vale alimentação), e que o governo Lula e de seus seguidores se apoderaram
e passaram a alardear, sem a menor vergonha, de que eram programa seus.
Tivemos estabilidade
monetária, diminuição da dívida pública, saneamento das finanças, saneamento
dos bancos, que se não fosse feito naquela oportunidade haveria a maior
quebradeira de bancos no País; (tudo isso apesar de não haver sossego para
trabalhar, em face de dura e irresponsável oposição que o PT fazia ao Governo.
O povo brasileiro (que
trabalha), a tudo agüentou mais uma vez.
Mas adveio o Governo
Lula e logo cessaram as greves, as passeatas intermináveis e abusivas; O povo
mesmo acha, nunca acreditou que tudo estivesse bem mesmo. E não
estava. O resultado de toda a desordem, toda torpeza, todo populismo barato,
toda a incompetência, todo o lixo e corrupção escondidos a sete capas e maquiados
com pesadas camadas estavam submetidos ao tapete do governo do PT no País.
E haja escândalos e operações: Mensalão, Mensalinho, Petrolão,
Lava Jato, Xepa,
Site Agarra etc. etc. etc. Foi tanta
vergonha e baixeza que levaram o mesmo povo brasileiro de ontem, ao invés das
lágrimas, emergir nas ruas, dos quatro cantos do País
para dizer agora chega. Agora basta, e de verde e amarelo.
Mas pobre provo: ainda
tem que ser chamado de golpista, apesar dos duros golpes, um atrás do outro,
que o PT lhe impingiu e continua impingindo, pois que a Presidenta afastada,
diga-se logo, (por processo sério, legítimo, pois que votados por quem tem
legitimação e adequação para tanto), nos enlameia, aqui e lá fora, a nos chamar
de golpistas.
O povo brasileiro
realmente não merecia ter sido governado por mentirosos, antiéticos, inescrupulosos,
enganadores e saqueadores dos bens públicos. E que ainda têm coragem e
desplante de ir lá fora, choramingar que perderam a “boquinha, não bocona” do
Poder que tanto lhes tinha rendido.
Lamentável e triste é
ver o meu professor de Direito Administrativo, a quem eu elogiava e devotava, no meu ser, um imenso
respeito e gratidão, José Eduardo
Cardoso, defender o indefensável, quando, se fazendo do bobo que não é, afirmar
com tanta veemência, que não houve crime de responsabilidade por Dilma Rousseff, sabendo ele, mais do que ninguém, de que estes estão caracterizados plenamente e
que o procedimento de apuração dos mesmos foi
legal e fielmente observado. José Eduardo Cardoso também foi picado pelo
inseto da “credulidade rasteira”
e assim perdeu o grande cabedal
que amealhara na vida: a credibilidade.
O governo interino de
Michel Temer tem obrigação, mais que isso, tem o dever, de se penitenciar
através de muita competência e trabalho árduo, para desfazer um pouco do mal
que ajudou a fazer ao País, apenas
porque também foi levado, como o povo, a acreditar que o governo do PT poderia
ser sério e bem intencionado em governar. Já
se sabe que não era verdade.
Infelizmente essa mentira não tinha pernas curtas. Levou mais de 16 anos e ainda se arrasta
feito baratas nos escombros do País para começar a se mostrar.
Nós, aqueles que jamais
votamos no PT sofremos mais e muito mais, pois que sabíamos e não nos deixamos
enganar por eles, de que não eram confiáveis, já que “milagres” se fazem com
trabalho e calos na fé. Não com
mirabolantes promessas. Mas a casa caiu e a ruína é grande. Pobre de nós. Vamos
novamente, seus filhos, levarmos pedra feito penitentes, porque o continente
está nas mãos dos que realmente trabalham e pagam a conta.
Maria Vanda 19/05/16