De mais o que, te digo:
Não me tereis para teu inimigo,
por mais que me faças atormentada.
quero, apenas, apreender a paciência...
Falar de mim, a quem me escuta e pensa,
não a quem me tens, porque sou do teu lado.
Já nem mais sei o que falar ou ouvir...
são meros os teus intuitos e dissaborecidos.
Guardo, ainda, a ilusão de novo porvir,
quando então, serei música, em todo meu ouvido.
Terei meus olhos livres desse horizonte escuro, sem oxigênio,
por milênios...
Por hora, deixo que fales tuas palavras rotas.
Vais continuar lambendo o próprio céu da boca,
e a sentires, apenas, teus próprios sentidos.
Deixes cá, meus lábios, sem novo fomento.
Não vou sair pelo mundo à cata de ungüentos.
Não os tenho, para minhas dores do momento
nem muito menos, para àquela, que me são eternas.
Não desejo reter nada, no meu corpo, que me seja excesso,
nem tampouco me submeter ao pus do abscesso,
que lateja e envenena, nas minhas entranhas.
São medonhos e os quero fora do meu universo,
fora das minhas lembranças de ontem ou de agora,
pois já os alimentei o suficiente...
Dentro do meu peito quero abrir janelas.
Quero que haja ventos à expulsar seqüelas,
e fogueiras apagadas, por águas correntes.
Quero mergulhar e ficar submersa,
sem tentar subir para ver lá fora.
E nesse novo engodo serei consumida,
por outros tormentos dos que há no mundo.
Que sejam supérfluos, sem nada de profundo,
mas se é novo é novo, então vou em frente,
buscando o equilíbrio que preciso urgente.
MARIVAN
Julho/1998