quinta-feira, 23 de abril de 2015

Certos Momentos


Certos Momentos 

Tenho me deparado  pela vida  com certos  momentos
Que não me dão margem para aduzir qualquer argumento

Pois são questões assaz inusitadas que me visitam.

São questões que transitam nos limites do imponderável
Até nas cercanias do injustificável produzem corolários
Lançam investidas, sussurram, suspiros que nos conquistam

Acorrem-me elas, as questões, tão frequentemente
Que começo a encontrá-las até quando me divirto
Parece-me que até  formulo inconscientemente

Deixam, quase sempre, perplexo o meu coração
Advertindo-me de que se penso, logo, existo

Penso, penso, elucubrando, mas tudo é lixo

Assim, para tais questões não encontro solução
Venho a pé, vou voando, em inigualável velocidade
Mas meu ser pensante fica inane de explicação

Voo então viajando por antigos tempos, como expiação
Folheio páginas corroídas que nem distingo a cor

Vejo mãos longilíneas, firmes ou já sem vigor

Esculpindo em linho, couro, pedras  entalhadas
Aquelas mãos e dedos calejados pelo ponteiro ou pela pena
Já me conheciam e de meu ardor tinham certeza

Por isso em mesas toscas à luz de velas, plena pureza
Com as narinas escurecidas de puro pó

Escreviam frases e já antecipavam minhas cenas

As questões de ontem, que eram suas, e as do amanhã

Para mim enviam esse penhor que mais são penas
De buscar resposta, ao imponderável pela manhã
E pela noite permanecer em quarentena.

É febril o nosso ser quando se lança no pensar
Dessas questões que tanto se pensou e ainda se pensa
Sem solução, porque o pensamento as espanta

Pois de respostas, sempre seremos eternos carentes
A busca de todas as respostas
Mas nem sempre as temos.



Marivan, 22 de abril 2015