Certos Momentos
Tenho me deparado pela vida com certos momentos
Que não me dão margem para aduzir qualquer argumento
Pois são questões assaz inusitadas que me visitam.
São questões que transitam nos limites do imponderável
Até nas cercanias do injustificável produzem corolários
Lançam investidas, sussurram, suspiros que nos conquistam
Acorrem-me elas, as questões, tão frequentemente
Que começo a encontrá-las até quando me divirto
Parece-me que até formulo inconscientemente
Deixam, quase sempre, perplexo o meu coração
Advertindo-me de que se penso, logo, existo
Penso, penso, elucubrando, mas tudo é lixo
Assim, para tais questões não encontro solução
Venho a pé, vou voando, em inigualável velocidade
Mas meu ser pensante fica inane de explicação
Voo então viajando por antigos tempos, como expiação
Folheio páginas corroídas que nem distingo a cor
Vejo mãos longilíneas, firmes ou já sem vigor
Esculpindo em linho, couro, pedras entalhadas
Aquelas mãos e dedos calejados pelo ponteiro ou pela pena
Já me conheciam e de meu ardor tinham certeza
Por isso em mesas toscas à luz de velas, plena pureza
Com as narinas escurecidas de puro pó
Escreviam frases e já antecipavam minhas cenas
As questões de ontem, que eram suas, e as do amanhã
Para mim enviam esse penhor que mais são penas
De buscar resposta, ao imponderável pela manhã
E pela noite permanecer em quarentena.
É febril o nosso ser quando se lança no pensar
Dessas questões que tanto se pensou e ainda se pensa
Sem solução, porque o pensamento as espanta
Pois de respostas, sempre seremos eternos carentes
A busca de todas as respostas
Mas nem sempre as temos.
Marivan, 22 de abril 2015