Abadia de Santa Maria, 21 de março de 2014
Homilia Proferida Por D. Gregório - Mosteiro S. Bento - SP
(Trânsito de São Bento)
Queridas irmãs,
Celebramos hoje o dia que nosso pai São Bento subiu aos céus. No hemisfério norte, onde ele viveu, é o início da primavera. Para nós, no hemisfério sul, é o início do outono e vejo esta estação com uma dupla característica: é o tempo que a natureza nos dá um alivio do calor intenso do verão e, ao mesmo tempo, nas árvores as folhas caem. Se as folhas não caíssem, elas se queimariam durante o inverno e a árvore correria o risco de morrer. Sob o ponto de vista do outono podemos entender o trânsito de São Bento: após uma vida de tantas lutas, sofrimento e trabalhos, fatigantes como um dia quente de verão, Bento experimenta o refrigério e o repouso; suas folhas caem, como cai o grão de trigo na terra, para que a sua presença não se faça mais física e sim espiritual, entre seus discípulos por meio da Regra que nos deixou.
Bento um dia deixou a casa de seu pai, sua terra, sua família para que constituísse uma família abençoada. Na mesma fé de Abrão, que deixa Ur na Caldéia, Bento deixa Núrcia e se faz uma bênção. Bento, o abençoado, aquele sobre o qual foi pronunciada uma boa palavra, a palavra do próprio Deus, seu logos. Por meio do coração daquele homem que nunca sonhou com grandes honras eclesiásticas, toda a Igreja é abençoada, sobre os povos da terra Deus pronuncia sua boa palavra. Esta Palavra que Bento viveu e legou a nós, seus filhos. Sim, São Bento é nosso pai: pai de uma multidão de povos porque acreditou na Palavra do Senhor como Abraão.
“Pai, aqueles que me deste, quero que, onde eu estou, também eles estejam comigo, para que vejam minha glória, glória que me concedeste porque me amaste antes da criação do mundo”. Em sua oração sacerdotal, o Senhor roga ao Pai para que seus discípulos estejam onde ele estiver. Bento esteve com Cristo durante toda a sua vida.
A vida de Bento transmitida por São Gregório é um comentário ao Evangelho, é uma longa e bela homilia. Bento está com Cristo no deserto quando habita Subiaco, experimenta a traição em Vicovaro, está a todo instante ensinando seus discípulos como fazia Jesus, sabe curar as doenças dos mais pobres e fazer o bem, é consolado por Escolástica como Cristo sentia o consolo na casa de Marta e Maria. Bento segue o Senhor até a cruz como o seguiu o discípulo amado. E este é o belo título que o ancião chama Bento: o amado do Senhor. Hoje Bento sobe ao céu, nutrido com o corpo de Senhor. E nós, amadas irmãs, não tenhamos medo de estar com o Senhor como Bento esteve. Sua glória é sua cruz. Não tenhamos medo da tentação, do abandono, da falta de apoio. Não tenhamos medo de nossas faltas. Se tivermos verdadeiramente o coração de discípulos, em todos esses momentos veremos a glória de nosso Senhor. E aquele caminho, que se abre para nós por estreito início, tornar-se-á adornado por tapetes, onde tantas vezes sentimos as pedras, e onde sentimos as trevas, tornar-se-á resplandecente de inumeráveis luzes. Amém.
Homilia Proferida Por D. Gregório - Mosteiro S. Bento - SP
(Trânsito de São Bento)
Queridas irmãs,
Celebramos hoje o dia que nosso pai São Bento subiu aos céus. No hemisfério norte, onde ele viveu, é o início da primavera. Para nós, no hemisfério sul, é o início do outono e vejo esta estação com uma dupla característica: é o tempo que a natureza nos dá um alivio do calor intenso do verão e, ao mesmo tempo, nas árvores as folhas caem. Se as folhas não caíssem, elas se queimariam durante o inverno e a árvore correria o risco de morrer. Sob o ponto de vista do outono podemos entender o trânsito de São Bento: após uma vida de tantas lutas, sofrimento e trabalhos, fatigantes como um dia quente de verão, Bento experimenta o refrigério e o repouso; suas folhas caem, como cai o grão de trigo na terra, para que a sua presença não se faça mais física e sim espiritual, entre seus discípulos por meio da Regra que nos deixou.
Bento um dia deixou a casa de seu pai, sua terra, sua família para que constituísse uma família abençoada. Na mesma fé de Abrão, que deixa Ur na Caldéia, Bento deixa Núrcia e se faz uma bênção. Bento, o abençoado, aquele sobre o qual foi pronunciada uma boa palavra, a palavra do próprio Deus, seu logos. Por meio do coração daquele homem que nunca sonhou com grandes honras eclesiásticas, toda a Igreja é abençoada, sobre os povos da terra Deus pronuncia sua boa palavra. Esta Palavra que Bento viveu e legou a nós, seus filhos. Sim, São Bento é nosso pai: pai de uma multidão de povos porque acreditou na Palavra do Senhor como Abraão.
“Pai, aqueles que me deste, quero que, onde eu estou, também eles estejam comigo, para que vejam minha glória, glória que me concedeste porque me amaste antes da criação do mundo”. Em sua oração sacerdotal, o Senhor roga ao Pai para que seus discípulos estejam onde ele estiver. Bento esteve com Cristo durante toda a sua vida.
A vida de Bento transmitida por São Gregório é um comentário ao Evangelho, é uma longa e bela homilia. Bento está com Cristo no deserto quando habita Subiaco, experimenta a traição em Vicovaro, está a todo instante ensinando seus discípulos como fazia Jesus, sabe curar as doenças dos mais pobres e fazer o bem, é consolado por Escolástica como Cristo sentia o consolo na casa de Marta e Maria. Bento segue o Senhor até a cruz como o seguiu o discípulo amado. E este é o belo título que o ancião chama Bento: o amado do Senhor. Hoje Bento sobe ao céu, nutrido com o corpo de Senhor. E nós, amadas irmãs, não tenhamos medo de estar com o Senhor como Bento esteve. Sua glória é sua cruz. Não tenhamos medo da tentação, do abandono, da falta de apoio. Não tenhamos medo de nossas faltas. Se tivermos verdadeiramente o coração de discípulos, em todos esses momentos veremos a glória de nosso Senhor. E aquele caminho, que se abre para nós por estreito início, tornar-se-á adornado por tapetes, onde tantas vezes sentimos as pedras, e onde sentimos as trevas, tornar-se-á resplandecente de inumeráveis luzes. Amém.
