Quero pedir desculpas antecipadas aos leitores se me faço parecer insensível.
Mas observo que a morte do candidato Eduardo Campos gerou uma comoção desproporcional segundo a cobertura ininterrupta que fez a mídia.
A ocorrência geralmente foi uma tragédia que vitimou várias pessoas e entre elas um candidato à presidência da república para as eleições que vêm aí. E também nós, do Hoc Genere ficamos consternados.
Foi fácil notar que houve uma unanimidade tanto da classe política quanto do povo em geral, de classificar à perda do candidato como uma grande, imensa, incalculável, imensurável, perda. Mas será que essa unanimidade se deu pela “causa mortis”, ou porque nosso povo é extremamente sentimental, pois o evento foi realmente chocante; ou porque já conhecia, experimentara, experenciara os efeitos dos feitos do candidato como político e de penetração nacional?
Há na história a menção de que quando dos escândalos que levaram a morte de Getulio Vargas, um dia antes, ele era odiado, diante dos fatos e escândalos assacados contra ele. No dia seguinte, com seu suicídio, o povo brasileiro, numa comoção imensa, chorava e chorava aos borbotões a morte de seu governante.
Então parece que há precedente a que podemos recorrer para afirmar que a comoção gerada pela morte do candidato Eduardo Campos, tem precedentes e demonstra ou comprova que nosso povo é um povo por demais emotivo que, realmente sofre chora e se abate muito, quando ocorre no país uma tragédia.
Mas carregamos uma pecha como povo: a de que não temos memória. E parece razoável concordar com isso. E por quê? Porque o candidato falecido era um jovem ainda, promissor na carreira política? Tudo indicava que sim? Mas nosso país é um país que esquece rapidamente as tragédias nossas de cada dia: as enchentes anuais que vitima milhares de pessoas e que leva anos e anos sem assistência; as mortes de pessoas inocentes por assaltos (latrocínios) bestiais em cada farol do país; as jovens sequestradas e mortas por seus algozes; as crianças vitimadas por seus próprios pais, o menino no Rio de janeiro, puxado por um veículos de bandidos por mais de 9 km, a enfermeira queimada viva porque não tinha dinheiro para dar aos bandidos, o casal de velhinhos que foram amarrados e queimados por assaltantes; a esposa grávida de 08 meses que morrera pela mão de um marido membro do Ministério Público, os pais de Suzana Von Richthofen, que não tiveram chance sequer de gritar antes serem brutalmente assinados por sua filha e seus asseclas etc.etc.etc.
Então, será que a tragédia que vitimou o candidato Eduardo Campos é tão maior do que todas as outras que citamos e que continuaremos a tê-las, todos os dias, (porque não há política efetiva para se minimizar pelo menos as suas ocorrências)?
Sabemos e nos sentimos também comovidos pela vitimização do Senhor candidato e somos sensíveis aos sofrimentos de sua família. Mas as outras tragédias precisam ser lembradas, relembradas, EVITADAS, todos os dias neste país. E não adianta somente o povo chorar hoje, a morte trágica de uma pessoa, seja ela quem for. Devemos mais a este país e ao mundo como um todo: solidariedade e sentimentos mais loquazes, verdadeiros, duradouros e eficazes, para que possamos, então, sonhar com possibilidade de ocorrências menos trágicas, (aquelas que, certamente, podemos evitar), e desejar que não haja tantas, mas tantas, que vêm pelas mãos e ações humanas. Não podemos evitar o fortuito, mas mesmo, assim, é possível prevenir.
Nossas condolências aos familiares de Eduardo Campos, e todos os demais vitimados. Sinceramente.
Maria Vanda