A EDUCAÇÃO EM FOCO NA AÇÃO EVANGELIZADORA DA IGREJA
O que é um Vicariato? Os vicariatos episcopais são um instrumento evangelizador mais descentralizado, que colaboram para atender às exigências da ação evangelizadora em cada grande área geográfica, organizando melhor o trabalho e as relações pastorais.
Os vicariatos territoriais, por sua vez, são divididos em áreas pastorais menores, designadas pelo Código de Direito Canônico como foranias, que agrupam algumas paróquias. Cada forania é confiada a um vigário forâneo. O vigário episcopal, por sua vez, nomeado pelo Arcebispo, formará a Coordenação do Vicariato, com os representantes das foranias. Cada vicariato enviará representantes para comporem a Coordenação Arquidiocesana de Pastoral. Os vigários episcopais cultivam uma estreita relação pastoral com o arcebispo, na medida em que colaboram com o governo pastoral da Arquidiocese. Eles multiplicam e difundem o próprio ministério do arcebispo.O vigário episcopal é uma figura nova, recente na Igreja, surgida por ocasião do Concílio Ecumênico Vaticano II e está contida especialmente no Decreto Christus Dominus. A constituição dele depende das necessidades de cada diocese, e da vontade do arcebispo. Sua atividade é definida pelo arcebispo, de acordo com a realidade pastoral. A constituição dessa nova figura se explica a partir da atenção especial que a Igreja quer dar para determinados setores.
Qual o significado do termo “vigário episcopal”?O termo “vigário” vem do substantivo latino “vicarius”, que significa aquele que faz às vezes de alguém, substituto, representante. Nesse caso, podemos dizer que o vigário é aquele que atua no lugar de alguém, quando este não se encontra presente. Aqui especificamente, o vigário episcopal substitui o arcebispo. E o que quer dizer “episcopal”? O termo “episcopal” deriva do grego “epískopos”, que também foi assumido pela língua latina com a expressão “episcopus”, que significa supervisor, guarda,vigilante.Portanto, o vigário episcopal é aquele que supervisiona uma pequena parte do Povo de Deus a ele confiada. Ele está diretamente ligado à cabeça da diocese, que é o arcebispo.
No último dia 27 de junho de 2014, Solenidade do Coração de Jesus, o Cardeal Dom Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo assinou o Decreto de criação do Vicariato Episcopal para a Educação e a Universidade. Ao lembrarmos que ainda estamos dentro das comemorações dos 50 anos de abertura do Concílio Vaticano II, é inevitável a associação deste Decreto ao Concílio como um fruto e atualização das discussões da época, que culminaram na aprovação do documento GravissimumEducacionis (28.10.1965). O documento levantava a importância da educação cristã para a formação integral do homem e a urgência de um trabalho formativo. Passados quase cinquenta anos da promulgação do documento conciliar, a arquidiocese de São Paulo cria um Vicariato especial para tratar da educação em todos os níveis e com isso reforça a função e a missão da Igreja de anunciar a todos os homens o caminho da salvação, e o dever e a capacidade que ela possui de educar.
O Cardeal Dom Odilo afirma que a criação desse Vicariato atende a dois apelos insistentes feitos pelo Papa Francisco: ir ao encontro dos jovens e ser uma “Igreja em saída”. O foco educacional permite justamente esses dois movimentos, uma vez que o âmbito da educação é um terreno fértil para a missão evangelizadora da Igreja, visto que o público do nível básico ao universitário – crianças, adolescentes, jovens –, estão em formação e são o futuro da sociedade. Portanto, a urgência de um trabalho formativo e evangelizador faz-se extremamente necessário. Cabe lembrar que no início das comemorações de abertura dos 50 anos do Vaticano II, o Papa Emérito Bento XVIfez a seguinte declaração: “... vivemos uma emergência educativa, pois numa sociedade e numa cultura que fazem do relativismo o seu credo, torna-se cada vez mais árdua a tarefa educativa de transmitir às novas gerações os valores básicos da existência e de um reto comportamento. Apesar de todas as dificuldades é preciso insistir na missão.”
Essas palavras de Bento XVI vem ao encontro do que se propõe o Vicariato, segundo Dom Carlos Lema Garcia – empossado no dia 29 de junho de 2014, na Solenidade de São Pedro e São Paulo, no ofício de bispo auxiliar de São Paulo e designado a exercer a função de vigário episcopal para a Educação e a Universidade – a missão do Vicariato é suprir a demanda de Deus e de valores entre os estudantes.
Dom Carlos Lema Garcia, Vigário Episcopal do Vicariato para a Educação e a Universidade. Tornou-se sacerdote da Prelazia Opus Dei, sendo ordenado pelo então Papa São João Paulo II. Em abril de 2014 foi nomeado, pelo Papa Francisco, bispo titular de Alava e empossado em junho de 2014, pelo Cardeal Dom Odilo Pedro Scherer, no ofício de bispo auxiliar de São Paulo, no encargo de vigário geral da Arquidiocese e, ao mesmo tempo, vigário episcopal.
O exercício das funções de Dom Carlos Lema Garcia terá início no próximo dia 21 de julho de 2014, e sabemos que o trabalho que o espera não é nada fácil, visto que vivemos uma verdadeira crise da educação, a ausência de valores, projetos educacionais públicos para o ensino básico que são uma violência às nossas crianças e adolescentes. Sem falar, e não sem um grande pesar, na maneira tíbia e descomprometida como algumas instituições educacionais católicas conduzem o seu corpo discente naquilo que deveria ser a missão maior destes organismos, anunciar o evangelho com firmeza, com fidelidade e formar novos agentes evangelizadores.
Mas apesar da consciência do quadro difícil e desafiador da educação, em uma entrevista ao jornal O São Paulo, Dom Carlos falou de maneira muito esperançosa sobre a sua missão frente ao Vicariato e revelou que seu grande sonho é abrir uma capelania na USP. Ele também deixou claro que o mundo acadêmico não pode se preocupar somente com a formação intelectual, mas é preciso formar pessoas humanas, cidadãs, capazes de desempenhar com responsabilidade a profissão escolhida e, assim, servir à sociedade. Também destacou que o Vicariato promoverá encontros de estudo, cursos, seminários e retiros espirituais, afim de dar condições e capacitar os jovens estudantes para que possam evangelizar outros jovens.
Sabemos que as várias regiões episcopais da Arquidiocese de São Paulo já contam com a atuação da Igreja a partir de outros organismos ligados à educação, como a Pastoral da Educação, a Pastoral Universitária, o Setor de Ensino Religioso (estruturado na DAER) e a ANEC São Paulo, porém o novo Vicariato vem somar-se a todas essas atuações já existentes e expandir os trabalhos da Igreja no âmbito educacional. É um trabalho de conjunto, de colaboração com os responsáveis pelas instituições de educação ligadas à Igreja e de interação com movimentos apostólicos, associações de fiéis e novas comunidades, buscando formar agentes pastorais que possam garantir atendimentos religiosos aos estudantes, professores e funcionários das instituições de ensino. Outro projeto nos planos do Vicariato é oferecer curso de iniciação cristã tanto em escolas privadas quanto em públicas, aproveitando o interesse dos próprios pais. Apesar de todo esse olhar para as instituições católicas, as ações do organismo não se limitam ao âmbito católico, mas buscam dialogar com todos, sejam aqueles que professam outras religiões, aqueles que estão afastados da Igreja ou ainda os que se dizem agnósticos.
De fato, a missão do Vicariato para a Educação e a Universidade é um grande desafio, mas sem dúvida é uma ação pioneira da Igreja que busca justamente superar os desafios unindo as forças, fortalecendo a fé, o ardor missionário, para assim dar mais visibilidade para a educação em São Paulo. Resta-nos, portanto, desejar boa sorte e bom trabalho a Dom Carlos Lema Garcia e pedir as bênçãos de Deus para a realização desse importante e urgente trabalho.
Que Deus conceda a Dom Carlos a graça de realizar, no exercício da sua nova função, o lema por ele escolhido em sua ordenação episcopal: Iter para tutum (prepara um caminho seguro). Para que a partir de uma verdadeira formação educacional às nossas crianças, adolescentes e jovens, possamos vislumbrar um caminho seguro para a educação em São Paulo e para a comunidade humana.
Salete Therezinha de Almeida Silva (Ir. Catarina de Sena, Oblata OSB)

