O ataque terrorista que vitimou os jornalistas do Charlie Hebdo, em França é reprovável. E é reprovável do ponto de vista de que não se pode admitir esse meio, de todo reprovável, como meio de revide ou vingança seja a quem quer que seja.
Dito isso, ficamos muito inculcados quanto a uma outra questão: qual é o limite da liberdade de expressão? Qual o limite da liberdade de comunicação e da liberdade de imprensa? Como ficam, diante dessas outras importantes liberdades como a de crença religiosa, a científica entre outras tantas?
Quais são as liberdades mais importantes para o homem como ente social? As liberdades de expressão e de imprensa sobrepujam aquelas? Podemos dizer que haja uma hierarquia ou categorias nas liberdades?
O espaço não é adequado para uma apreciação minuciosa sobre a evolução histórica e nem filosófica das liberdades. Mas em virtude do incruento acontecimento da morte dos jornalistas e circunstantes do Jornal Charlie Hebdo faremos uma breve apreciação das liberdades.
A França, todos sabem disso, é tida e havida como o berço das liberdades. Com uma história tão extraordinária que o mundo inteiro olha para ela e muitos a copia, desde os seus ideais, (com a Revolução Francesa e seus com os ideais de liberdade, seu Ilustre conquistador Napoleão Bonaparte, seus filósofos que fizeram época como Jean Jacques Rousseau, Jean Paul Sartre etc.etc.etc.) ao seu modelo arquitetônico, sua cultura e sua moda, seu perfume.
Portanto, os franceses exercitam a liberdade, é uma grande nação, experimentando riqueza, representatividade e importância nos cenários mundiais, quer econômico quer político, quer artístico.
Tudo isso se avoluma um pouco mais quando confrontado com o episódio Charlie Hebdo.
Reflitamos. Uma nação com esse cacife tem o direito de usar das liberdades garantidas, (expressão, imprensa, artística), de forma irrestrita e de conteúdo ilimitado?
A resposta parece óbvia. Porque todas as liberdades devem ser garantidas, todos os meios de seu exercício devem ser preservados e estimulados. MAS NÃO PODE SER DE CONTEÚDO IRRESTRITO.
A França, até porque é modelo, sabe disso. Mas ao que parece exatamente porque seja modelo, embeveceu-se em si mesma e perdeu a noção de sobriedade, e caiu na tentação de ofender a outros povos através do seu excesso de liberdade.
A liberdade de expressão ou de veiculação não é maior do que a liberdade de culto ou de pertença a uma religião. Não é e nem poderia ser, se olhada com o olhar de respeito, de parâmetro, sem a arrogância de eu sou, logo posso.
Não basta receber em seu seio, políticos perseguidos, artistas banidos, porque se excedem na expressão, povos de outras raças e religiões que vão em busca de liberdade e trabalho. Não, não basta. É necessário, para fazer tudo isso e colher os louros, que não peque pelo excesso, pelo orgulho, pela soberba e pela vaidade.
Os outros povos então teriam o mesmo direito de ofender a França, seu povo, seu governo, sua crença, seu estilo. Não é isso que ocorre. Ao contrário. Por isso a França caiu no pecado grave de ignorar a religiosidade do povo islã e incitou, através de charges de graça duvidosa, o ódio dos mulçumanos que crêem e são livres para isso, no Profeta Maomé.
As outras religiões, (inclusive a Católica) foram também objeto de piadas de mal gosto feitas pelo mesmo Charlie Hebdo e seus cartunistas mortos. Mas estas se mostraram mais tolerantes e perseverantes, provavelmente esperando (a esperança não pode morrer nunca), que a Cidade das Luzes chegue, novamente, à lucidez que perdeu, nos torvelinhos da prepotência cultural.
Que a França se torne um país de reducionistas e relativistas, só podemos lamentar, pois acreditamos que se perdera no caminho. Mas apesar de tudo, espero que aprenda e tire desse Dantesco episódio, alguma lição que lhe indique a medida do respeito às liberdades que tão bem conhece e exercitou como lição para o mundo.
Não aceitamos menos que isso: que a França continue sendo o berço, mas também A JUSTA MEDIDA da liberdade, igualdade e fraternidade, ideal de tantos povos.
Maria Vanda