Temos assistido nas apresentações da seleção brasileira de futebol um verdadeiro vale de lágrimas. Não somos avessos à exposição das emoções do que se sente, ao contrário. Mas há ocasiões em que essa exposição leva a uma leitura imediata de fragilidade, despreparo, inexperiência, medo. Essa leitura é passada ao grande público de forma direta e imediata, porque o momento, as circunstâncias em que o choro acontece se espera, exatamente, o contrário, ou seja, que aquele time que representa uma Nação, esteja firme no propósito, coeso no objetivo, engajado num resultado vitorioso e preparado para persegui-lo.
![]() |
| REUTERS/Kai Pfaffenbach |
No caso da equipe brasileira, no evento Copa do Mundo que sedia, temos visto o contrário disso. Os jogadores por demais emocionados, já na entrada em campo se debulhando em lágrimas, na entoação do hino nacional, além das lágrimas, rostos demonstrando uma paixão, (quase beirando o desequilíbrio).
Passado isso, o jogo jogado não corresponde aos sentimentos demonstrados. Ora jogam quase apáticos, ora jogam no desespero, ora parecem querer vencer e vencem.
Mas o que é positivo e imperativo é que esse elenco aprenda com sua torcida. Realmente, esta torcida verde e amarelo tem demonstrado um equilíbrio ímpar e elogiável. Enche os estádios, canta o Hino Nacional com respeito, empenho e alegria, deixando evidente sua mensagem de brasilidade e de respostas a quem torceu contra o evento Copa aqui, passando ao grande público uma emoção verdadeira, uma confiança que ultrapassa suas fronteiras, penetrando o gramado e dizendo em alto e bom som aos jogadores: acreditamos em vocês! Confiamos em vocês! Vamos juntos com vocês, joguem por nós.
A torcida brasileira sente, sofre, grita, espera, MAS CONFIA. Isto os jogadores ainda não tiveram sensibilidade ainda para captar. Estão porventura, preocupados só com suas próprias emoções?
Não é tarde. Que eles demonstrem suas emoções não podemos impedir. Mas que não desmoronem no momento em que são instados a resolver, com altivez, o que tiverem que resolver no campo.
A torcida brasileira e altiva (tanto que tem sido imitada por outras) e não merece ver o capitão do time sentado na bola, chorando feito um bebê, para não enfrentar a cobrança de pênaltis. Nem citemos outros que jogam como se não tivesse jogando, a cada partida, uma última partida desse campeonato mundial.
Dizemos isso porque sentimos e captamos a fragilidade do time brasileiro. Compreendemos. Aceitamos. Mas o adversário cresce quando capta isso também. E adversário motivado não se enfrenta com lágrimas, mas com firmeza de propósito: vencê-lo.
Sabemos que nossos jogadores são jovens, muitos não têm experiência de copa do mundo. Mas sabemos também que a grande maioria joga por esse mundo afora, sem respeitar fronteiras ou continentes, e são vencedores lá, fazendo bem feito o que nasceram para fazer. Por isso os exortamos a jogar com mais amor ao que faz, com o máximo empenho no combate e inimitável alegria, atributos bem conhecidos dos brasileiros, que emprestam ao time, em cada jogo, o seu empenho em torcer, a sua disposição em incentivar, a máxima vontade de confiar e o indispensável desejo de suar a camisa!
Maria Vanda A. da Silva
